Influencer morta pagou R$ 3 mil para colocar 90ml de gel em glúteos

A clínica onde a influencer que morreu fez o procedimento funcionava desde novembro de 2023 e oferecia diversos serviços estéticos, entre eles, o chamado bioestimulador de glúteos


Por Rota Araguaia em 04/07/2024 às 13:24 hs

Influencer morta pagou R$ 3 mil para colocar 90ml de gel em glúteos
(crédito: Instagram/Reprodução)

Redação

A influencer Aline Ferreira, 33 anos, faleceu após aplicar a substância PMMA (polimetilmetacrilato) nos glúteos, procedimento pelo qual pagou R$ 3 mil. A intervenção estética foi realizada na clínica Ame-se, em Goiânia, cujo serviço era oferecido por Grazielly Barbosa, que foi presa pela Polícia Civil do Estado de Goiás (PCGO) nesta quarta-feira (3/7).

Grazielly alegava ser biomédica tanto para os pacientes quanto nas redes sociais. No entanto, as investigações da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Consumidor (Decon) revelaram que ela não possuía nenhuma formação superior. Em depoimento, Grazielly afirmou ter cursado três períodos de medicina no Paraguai, mas abandonou o curso há três anos. Ela negou ter formação em biomedicina, alegando ter concluído apenas cursos "livres" na área estética.

A clínica funcionava desde novembro de 2023 e oferecia vários serviços estéticos, incluindo o bioestimulador de glúteos. Testemunhas informaram à polícia que Grazielly havia iniciado recentemente esse tipo de procedimento. Aline Ferreira, que veio de Brasília, soube do serviço através de indicações de terceiros.

A influencer pagou R$ 3 mil por três sessões para aplicar 90ml do gel nos glúteos. A primeira sessão ocorreu em 23 de junho, acompanhada por uma amiga que já havia feito o procedimento. "Essa amiga nos contou que, em nenhum momento, a dona da clínica falou sobre sua formação, nem os riscos que a intervenção traria. Pelo contrário, disse que era algo tranquilo, simples e que tinha feito em outras pacientes", afirmou a delegada-adjunta da Decon, Débora Melo, durante uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira (4/7).

No mesmo dia do procedimento, Aline passou mal, segundo os familiares. Quatro dias depois, ela desmaiou e foi levada ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran). Em 28 de junho, sofreu uma parada cardíaca. Seus familiares decidiram transferi-la para um hospital particular no Distrito Federal, mas em 30 de julho, Aline teve outra parada cardíaca e, na terça-feira seguinte, faleceu. A causa da morte foi uma infecção generalizada.

Grazielly Barbosa enfrentará acusações de exercício ilegal da profissão, execução de serviço de alta periculosidade e indução do consumidor ao erro. A PCGO instaurará um inquérito para investigar lesão corporal seguida de morte e aguarda o laudo do IML de Brasília para determinar a causa exata do óbito.



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